Sobre
Como cheguei aqui - e porque é que agora construo, ensino e partilho.
O meu percurso levou-me dos primeiros trabalhos manuais e das lojas de retalho até operações financeiras, sistemas de qualidade, startups, um exit, liderança de produto, mentoria e IA prática.

Início
O trabalho veio antes dos títulos.
Cresci numa cidade modesta do outro lado do Tejo, em frente a Lisboa. Os meus pais separaram-se quando eu tinha três anos e a família passou por dificuldades financeiras sérias nos primeiros anos. A situação estabilizou mais tarde, com o apoio da família alargada e do meu padrasto - mas esses anos moldaram a forma como penso sobre dinheiro, segurança e o que significa construir algo a partir de muito pouco.
Aos quinze anos, passei cerca de um mês a ajudar numa oficina de motas. O trabalho era simples - limpar, carregar, observar. Mas foi a primeira vez que percebi de verdade como é difícil ganhar dinheiro, e como o mundo parece diferente quando se trabalha com as mãos. Essa lição ficou.
Durante o curso de Economia no ISEG, trabalhei no retalho - na Springfield e na Salsa Jeans - pagando as minhas despesas e tentando poupar algum dinheiro. Fora do estudo e do trabalho, jogava basquetebol e futebol em clubes locais. Nada disto era extraordinário. Mas a minha história não começou numa sala de reuniões.
BNP Paribas · Paris
Economia, operações financeiras e Paris.
Escolhi Economia porque estava na intersecção de dois interesses antigos: política e negócios. Queria perceber como funcionam os sistemas - como decisões tomadas num lugar produzem consequências noutro.
Após a licenciatura, entrei na BNP Paribas Securities Services, nas operações de Corporate Actions da Euronext. Por volta dos vinte e dois anos, passei de uma função operacional para uma posição de supervisão - mais cedo do que a maioria. Mais tarde, passei cerca de seis meses em Paris a trabalhar com equipas francesas. Encarei isso quase como o Erasmus que nunca tinha feito: uma cultura diferente, um ritmo diferente, uma forma diferente de abordar o trabalho.
Concluí uma pós-graduação em Análise Financeira no ISEG. Mas mesmo enquanto a terminava, sabia que um ambiente corporativo de ritmo lento não era onde queria construir uma carreira. O espaço para autonomia, para inovar, para avançar ao ritmo que queria era limitado. Saí, e passei os meses seguintes à procura do que vinha a seguir.
Consultoria · Portugal · Angola
A aprender como as organizações funcionam de verdade.
Passei para a consultoria, formação e auditoria interna, focada em sistemas de gestão organizacional e qualidade. Trabalhei principalmente em Portugal e Angola, com empresas privadas, organizações públicas e entidades da economia social, em diferentes sectores e indústrias.
Trabalhei com referenciais como ISO 9001, EQUASS, OHSAS e JCI. Tornei-me auditor interno de qualidade certificado pela APCER e formador certificado.
A lição mais importante deste período não foi técnica. Foi a diferença entre os procedimentos escritos e a forma como o trabalho é realmente feito dentro das organizações. Essa diferença é muitas vezes enorme - e é aí que vivem a maioria dos problemas reais de gestão. Compreendê-la cedo mudou a forma como penso sobre produto, processo e mudança.
2015
A interrupção que levou ao empreendedorismo.
Em 2015, uma mudança planeada para trabalhar para uma empresa em Angola foi cancelada. A crise económica provocada pela queda dos preços do petróleo, a desvalorização do kwanza e a escassez de dólares tornaram-na inviável. Fiquei num período de incerteza, sem um próximo passo claro.
Durante esse período, vi um pitch no Dragons' Den UK de uma empresa chamada Servicing Stop - um negócio construído em torno de recolher e devolver o carro de um cliente para manutenção. A ideia captou a minha atenção imediatamente, porque ligava a um problema que eu próprio tinha vivido: encontrar uma oficina de confiança e saber se estava a ser tratado de forma justa.
Pesquisei o mercado português e percebi que não havia nenhuma oferta padronizada centrada nessa experiência. A ideia evoluiu de um conceito de serviço local para algo em que acreditei que poderia tornar-se uma startup escalável.
IZIRepair
Construir a IZIRepair.

O negócio começou como Bookauto e passou a chamar-se IZIRepair. Construímos cotações instantâneas online para manutenção, um marketplace de oficinas e um serviço de recolha e entrega de automóveis. Mais tarde, estabelecemos uma parceria com o SAPO / Altice para lançar o AUTO SAPO Oficinas. A IZIRepair foi também selecionada para o programa de investimento SENTE Mobility, patrocinado pelo grupo Avis Budget e pela Yıldız Holding.
A empresa ganhou prémios, atraiu investimento e assegurou parcerias importantes. Essas conquistas foram reais e continuo orgulhoso delas. Mas o negócio não atingiu uma escala sustentável. Essa diferença - entre validação externa e tração genuína - é uma das coisas mais importantes que um founder pode aprender a reconhecer, e uma das mais difíceis.
Lições
O que essa experiência me ensinou.
Cometi muitos dos erros que os founders de primeira vez cometem. Olhando para trás, encaixam em alguns temas claros.
Valida com o mercado, não com pessoas que querem encorajar-te.
Amigos, família e apoiantes iniciais raramente dizem o que pensam de verdade. Entrevistas a clientes feitas com rigor e cepticismo valem mais do que cem conversas entusiastas num evento de lançamento.
Reconhecimento externo não é product-market fit.
Prémios, parcerias e investimento podem sustentar a confiança num modelo que não está a funcionar. Saber distinguir uma empresa que parece bem de uma que verdadeiramente escala é uma competência que leva tempo a desenvolver.
Protege a tua exposição pessoal.
Investir as tuas poupanças numa venture que ainda não validaste limita as tuas opções futuras. Os founders devem pensar com tanto cuidado no seu balanço pessoal como no da empresa.
A estrutura de founders importa mais do que a maioria admite.
Uma estrutura 50/50 sem autoridade de decisão clara cria fricções que se tornam caras quando as coisas ficam difíceis. Vale a pena ter essa conversa antes de registar a empresa.
Os marketplaces têm de criar valor para ambos os lados.
Construir um produto que funciona melhor para os compradores do que para os fornecedores é um problema estrutural, não de marketing. Se um dos lados do marketplace não ganhar o suficiente, todo o modelo é frágil.
Tap My Back · 2021–2023
Reconstruir e fazer exit.
Em janeiro de 2021 entrei na Build Up Labs como Entrepreneur in Residence e assumi a liderança do Tap My Back como CEO. A empresa tinha sido fundada em 2015 e já contava com um produto, clientes e uma equipa. O mandato era uma recuperação: reconstruir o modelo operacional, afiar o produto, crescer o negócio e posicioná-lo para um exit estratégico. Liderei produto, desenvolvimento de negócio, marketing, growth e estratégia de exit. A empresa foi adquirida pela CultureBoost em agosto de 2023. Mantive-me envolvido numa transição operacional de três meses e prestei apoio estratégico adicional aos novos proprietários posteriormente.
Ajudar a levar uma empresa a um exit - tendo-a reconstruído primeiro - é uma das realizações profissionais de que mais me orgulho. Também me ensinou algo que levo comigo: começar é uma competência diferente de reconstruir. Ambas exigem coragem. A segunda exige mais humildade.
Hoje
Onde estou agora.
Hoje sou Head of Product & Growth na TIPS4Y, a trabalhar na intersecção de B2B SaaS, produtos com IA, estratégia de produto, growth e go-to-market. Continuo a ser um operador, não apenas um comentador - e essa distinção é importante para mim.
Faço mentoria a founders através do MentorCruise (rating 5.0), Founder Institute Portugal e Build Up Labs. As conversas abrangem pitch decks, estratégia de GTM, fundraising, hiring, pricing e as decisões de founder que a maioria das pessoas evita discutir abertamente.
Leciono IA prática, marketing, vendas e disciplinas relacionadas com produto no IPAM / Universidade Europeia. Faço palestras em conferências, workshops e programas de educação executiva quando convidado. Criei e apresento o Fundadores, um podcast sobre IA.
"Having Vítor during the Founder Institute Portugal, I can say this resonates completely. He is one of the highest rated mentors in the program for a reason."
Carlos Resende
Expert Evaluator at the European Commission, Founder Institute Portugal
Porque partilho
Porque é que partilho o que aprendo.
Comunico publicamente por três razões.
Para retribuir ao ecossistema de founders. Os mentores, as comunidades e as conversas honestas que me ajudaram valeram mais do que a maioria dos cursos e livros. Tento ser isso para os outros. Esse compromisso vai para além das startups: através da Fundação Mais Longe, também acompanho jovens em mentoria no seu percurso educativo, nas suas ambições e nas primeiras decisões profissionais.
Para ajudar mais pessoas a preparar-se para a transição da IA. A maior parte da conversa sobre inteligência artificial acontece dentro de uma pequena bolha. A transformação industrial que já está a criar afecta toda a gente. Trabalho para tornar o lado prático dessa transformação mais acessível.
Para contribuir, de forma modesta, para uma Europa e um Portugal mais fortes. Acredito que há um papel para founders, operadores e educadores na inversão da fragilidade económica, social e política dos países e do continente de que me preocupo - não através de ideologia, mas através da acção, da honestidade e de construir coisas que durem.
O que acredito.
Evidência antes do ego. A opinião tem o seu lugar, mas deve seguir a observação rigorosa, não precedê-la.
Descoberta antes de execução. A maioria dos erros dos founders acontece antes de uma linha de código ser escrita ou de um euro ser gasto.
Clareza antes de escala. Uma empresa que cresce sem perceber porque é que funciona acaba por pagar essa confusão.
As palavras importam tanto quanto as decisões. Os founders que vi lutar mais são muitas vezes os que evitam as conversas difíceis - com co-fundadores, clientes e investidores.
Os frameworks só são úteis quando testados no trabalho real. Os que partilho, usei-os.
Fora do trabalho
Para além do trabalho.
Sou português, com base na região de Lisboa. Falo português, inglês e francês. Fora do trabalho leio muito - história, política, psicologia, negociação e romances. Sigo o futebol de perto e mantenho-me activo com treino de força e desporto. Acredito que os melhores founders são curiosos sobre tudo, não apenas sobre o seu mercado. Partilhei alguns dos livros que moldaram a forma como penso.

Disponibilidade
Onde os nossos caminhos se podem cruzar.
Sou Head of Product & Growth a tempo inteiro na TIPS4Y. Fora disso, estou selectivamente disponível para o seguinte.
Disponível para
- ✓Mentoria
- ✓Advisory selectivo a startups
- ✓Palestras
- ✓Conversas em podcast
- ✓Guest lectures
- ✓Ensino
- ✓Educação executiva
Não disponível para
- –Funções C-level fraccionadas
- –Consultoria recorrente
- –Projectos de execução directa
- –Implementação freelance
- –Substituir um membro de liderança